ORGANIZAR AESTHÉTICO: TEORIZANDO O MODO DE ORGANIZAR CONTEMPORANEO

  • Autor
  • Marcus Santos de Sousa
  • Resumo
  •  

    Caras e caros leitores deste resumo, o texto que vocês têm em mãos é um ensaio teórico que sustenta minha tese de doutorado. Aqui, meu objetivo é esboçar uma crítica ao modo de organizar moderno e buscar definir o que nomeei de Organizar Aesthético. Trata-se de uma colaboração teórica que foi buscar no campo da teoria da arte.

    Defendo que o organizar moderno criou um conjunto estético de ferramentas organo-gerenciais que se enraizou como modelo hegemônico e, sobretudo, idealizado de organizar. A base desse organizar se sustenta na ideia de um organizar único e preferível diante de qualquer outra possibilidade de formas alternativas que possam existir. Assim, ele se constitui como modo totalitário que implode as possibilidades alternativas de organizar e se torna uma idealização.

    E o que vem a ser o modo de Organizar Aesthético? Penso eu que o caminho para essa resposta perpassa pela história da arte. A arte moderna usou o abstrato para criar figuras sem nome (GIUNTA, 2014), um mundo dissociado do real com formas sem existências no dia-a-dia com intenção de forjar uma nova forma de comunicação com sujeitos. O artista contemporâneo, herdou do artista moderno um mundo utópico nunca alcançado e um mundo real destroçado pelas guerras e ditaduras (GIUNTA, 2014). Foi sobre esses escombros deixados pelo idealismo da arte moderna e pela penúria do mundo real que o artista contemporâneo se estabeleceu. Organizar Aesthético é um organizar que abandonou a ideia de pureza, do belo, do agradável ao olho para se apegar ao lixo, ao rejeito, as múltiplas formas e histórias negadas para se expressar e organizar a vida.

    Na arte, as práticas contemporâneas se sustentam num ato de desobediência aesthética diante do saber colonizador da estética (MIGNOLO, 2010). Nas ciências sociais e na filosofia a discussão de violência epistêmica e cumplicidade intelectual (SPIVAK, 2010) nos mostram que contemporâneo exige um reconhecimento do outro e uma integridade ética do pesquisador. A prática de gestão também é política e surge tal qual as estratégias de ativismo curatorial (REILLY, 2021).

    O que venho conseguindo perceber é que as organizações, que denominei alinhadas ao modo de organizar aesthético, assumem práticas curatoriais de gestão que se sustentam, mesmo que parcialmente, em teorias pós-coloniais, raciais, feministas e queer. Para Reilly (2021), nas artes, tais práticas parecem ser mais efetivas do que apenas continuar o questionamento do cânone existente no mundo das artes. Assim, na arte e no Organizar Aesthético tem-se a prática da desobediência.

    Meu campo vem se consolidando junto as organizações de arte das quadrilhas juninas. Nessas organizações, a potência das festas e das quadrilhas juninas é de transgressão estética e política que consegue inverter ordens e os papéis dessa manifestação artística tradicional, se alinhando, diretamente, a ideia de “desobediência Aesthética” de Mignolo (2010, p.18). A rejeição ao binarismo de gênero, o respeito por pessoas transexuais, drag queens, e o resgate de temática LGBTQIAPN+ me permite olhar para algumas Quadrilhas Juninas e perceber o modo de Organizar Aesthéticos, real e não idealizado.

  • Palavras-chave
  • Organizações; decolonial; gênero e sexualidade; quadrilha junina
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 4 - Políticas Culturais e Economia Política da Cultura
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Comissão Organizadora

Sociedade EPTICC

Comissão Científica

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Antônio José Lopes Alves (UFMG)

Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)

Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)

César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)

Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)

Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)

Fernando José Reis de Oliveira (UESC)

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Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)

Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)

Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)

Lorena Tavares de Paula (UFMG)

Manoel Dourado Bastos (UEL)

Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)

Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)

Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)

Rozinaldo Antonio Miani (UEL)

Rodrigo Moreno Marques (UFMG)

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Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)

Verlane Aragão Santos (UFS)